Nossas raízes
Uma história que começou com Cybelle e Ana Paula.
A história da CEPPAN começou com o encontro de duas psicanalistas, Cybelle Weinberg e Ana Paula Gonzaga, e com uma inquietação compartilhada diante dos transtornos alimentares e dos desafios que eles colocavam à clínica psicanalítica.
No final da década de 1990, Cybelle e Ana Paula iniciaram, no Departamento Formação em Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae, um grupo de estudos dedicado à anorexia e à bulimia. A experiência cresceu, ganhou corpo e, em 2000, tornou-se um grupo independente, dando origem à CEPPAN. Nascia ali um espaço em que clínica, estudo, pesquisa e formação poderiam caminhar juntos, em torno de uma área que ainda encontrava pouco espaço no campo psicanalítico.
Mais do que a criação de uma instituição, aquele início carregava uma aposta: a de que era possível se aproximar do sofrimento dos transtornos alimentares sem reduzir o sujeito ao sintoma, ao corpo ou à comida. Era preciso escutar o que havia para além deles. Essa aposta atravessaria os anos e se tornaria uma das marcas da CEPPAN.
Ana Paula Gonzaga esteve na fundação e na construção da CEPPAN, participando de sua coordenação até 2013. Sua escuta, sua firmeza, sua sensibilidade clínica e seu modo cuidadoso de estar com as pessoas foram fundamentais para dar forma ao projeto e para a formação daqueles que passaram pela instituição. Sua presença faz parte dos alicerces sobre os quais a CEPPAN foi construída. E esse vínculo nunca se desfez. Ana Paula mantém, até hoje, laços estreitos com a CEPPAN, acompanhando nossa trajetória e voltando a estar conosco em diferentes momentos, sempre trazendo sua experiência, seu olhar e suas contribuições. Sua presença nos lembra que algumas histórias não terminam quando as funções mudam: elas permanecem nos vínculos, nas trocas e naquilo que continuamos construindo juntos.
Cybelle Weinberg permaneceu à frente da CEPPAN, fazendo dela um projeto de vida. Sua inquietação intelectual, sua enorme capacidade de transformar perguntas clínicas em estudo e pesquisa e, sobretudo, sua força para reunir pessoas deixaram marcas profundas na identidade da instituição. Cybelle coordenou a CEPPAN até sua morte, em 2019.
Antes de sua partida, Cybelle cuidou também da continuidade daquilo que havia ajudado a construir. Foi seu desejo, conversado conosco e combinado ainda em vida, que Ana Carolina Saraiva e Patricia Gipsztejn Jacobsohn assumissem juntas a coordenação da CEPPAN. Mais do que uma passagem de função, esse gesto carregava confiança, afeto e transmissão. Recebemos dela não apenas a responsabilidade de seguir à frente da clínica, mas o compromisso de cuidar de uma história construída por muitas mãos e de mantê-la viva, permitindo que continuasse a crescer e a se transformar.
Sua ausência trouxe a dimensão do quanto sua presença estava entranhada na história da Ceppan. Depois de sua partida, como forma de reconhecimento, homenagem e também de continuidade, seu nome foi incorporado ao da instituição. A clínica passou a se chamar CEPPAN – Clínica Cybelle Weinberg de Estudos e Pesquisas em Psicanálise da Anorexia e Bulimia. Mais do que dar seu nome à CEPPAN, foi uma maneira de inscrever em nossa história aquilo que Cybelle ajudou a construir e que permanece vivo entre nós.
Ao longo dos anos, muitas pessoas chegaram, a equipe cresceu, novos projetos nasceram e novas perguntas passaram a nos acompanhar. A CEPPAN de hoje não é a mesma de 2000, e talvez essa seja também uma forma de permanecer fiel às suas origens: continuar pensando, interrogando, estudando e se transformando.
Mas algo daquele começo permanece. A aposta de Cybelle e Ana Paula na psicanálise, no trabalho coletivo e em um cuidado capaz de enxergar, para além do sintoma alimentar, a pessoa que sofre, sua história e sua singularidade.
Contar a história da CEPPAN é também contar a história das duas. É reconhecer de onde viemos, honrar quem abriu esse caminho e cuidar para que aquilo que começou com Cybelle e Ana Paula continue vivo, se transformando a cada nova geração, sem perder sua essência.

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